Redes suspeitas de tráfico de droga com origem no Reino de Eswatini estarão a recorrer a novas formas de acondicionamento para introduzir cannabis sativa, conhecida localmente como soruma, em Moçambique.
Segundo informações divulgadas pela Miramar, com base em dados fornecidos pela Polícia da República de Moçambique (PRM), os traficantes colocam a droga em embalagens plásticas cuidadosamente seladas com fita-cola, numa tentativa de fazer com que os volumes se assemelhem a encomendas comuns e dificultem a sua identificação durante as operações de fiscalização.
De acordo com as autoridades, a droga entra no território moçambicano através do distrito da Namaacha, na província de Maputo, e posteriormente é encaminhada para diferentes pontos da província e da cidade de Maputo.
Transporte em “chapas”
As autoridades indicam que parte da droga é transportada em veículos de transporte semicolectivo de passageiros, conhecidos como “chapas”. A utilização deste meio de transporte leva à realização de operações de fiscalização em diferentes pontos das vias rodoviárias.
Foi durante uma dessas operações, realizada no distrito de Boane, que a PRM deteve um jovem de 21 anos na posse de vários embrulhos contendo alegadamente soruma.
Questionado pelas autoridades, o jovem terá afirmado que a pasta onde estavam os embrulhos pertencia a um amigo e que desconhecia o conteúdo transportado.
PRM diz conhecer estratégia dos traficantes
A porta-voz do Comando Provincial da PRM em Maputo, Carmínia Leite, afirmou que as autoridades já identificaram o método utilizado pelas redes para tentar ocultar a droga durante o transporte.
A polícia diz estar a reforçar a fiscalização nas principais vias de circulação, sobretudo nos trajectos considerados utilizados para a introdução e distribuição de estupefacientes na província.
Paralelamente, as autoridades estão a intensificar operações no distrito da Namaacha com o objectivo de localizar e destruir campos utilizados para o cultivo de cannabis.
Combate ao cultivo na Namaacha
Segundo a PRM, a intervenção não se limita à apreensão da droga durante o transporte. As autoridades procuram também combater a produção na origem, através da identificação e destruição de campos de cultivo.
A polícia associa ainda o consumo de estupefacientes ao agravamento de problemas de criminalidade e delinquência juvenil em algumas comunidades, embora a relação entre consumo de droga e criminalidade dependa de vários factores e deva ser analisada com base em dados oficiais.
As operações deverão continuar nos principais corredores de entrada e distribuição de droga na província de Maputo
