Enquanto as grandes empresas de tecnologia investem milhares de milhões de dólares no desenvolvimento de óculos inteligentes voltados para redes sociais e entretenimento, um jovem de 20 anos, no norte da Nigéria, desenvolveu uma solução de acessibilidade utilizando componentes simples e inteligência artificial.
Khalifa Aminu criou um protótipo de óculos destinado a pessoas com deficiência visual, capaz de identificar obstáculos físicos e orientar o utilizador em tempo real.
O dispositivo combina câmara, sensores de proximidade e GPS. Durante uma caminhada, os sensores conseguem identificar obstáculos como carros, buracos e paredes, emitindo imediatamente alertas sonoros para avisar o utilizador.
A câmara também permite reconhecer textos impressos e reproduzi-los em voz alta. Além disso, o sistema consegue responder a perguntas através de comandos de voz e fornecer indicações de direcção.
Outra funcionalidade permite aumentar a segurança do utilizador em situações de desorientação. Caso a pessoa se perca, os óculos podem enviar para o telemóvel de um cuidador, através do WhatsApp, um alerta acompanhado da localização exacta em tempo real.
O projecto de Khalifa Aminu mostra como tecnologias relativamente simples, quando combinadas com inteligência artificial, podem ser utilizadas para enfrentar dificuldades do quotidiano e promover a inclusão de pessoas com deficiência visual.
A iniciativa também levanta uma reflexão sobre o papel da inovação: soluções com impacto social não precisam necessariamente de grandes investimentos para responder a problemas que muitas vezes permanecem fora do foco do mercado.
A tecnologia pode, neste caso, ser aplicada directamente a necessidades de mobilidade, comunicação, orientação e segurança de pessoas com deficiência visual.