{"id":36,"date":"2026-09-20T11:13:56","date_gmt":"2026-09-20T11:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/emprimeiro.blog\/?p=36"},"modified":"2026-09-20T11:13:56","modified_gmt":"2026-09-20T11:13:56","slug":"cientistas-testam-paineis-solares-a-dez-metros-abaixo-da-superficie-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/emprimeiro.blog\/?p=36","title":{"rendered":"Cientistas testam pain\u00e9is solares a dez metros abaixo da superf\u00edcie do mar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas est\u00e3o a desenvolver uma nova gera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas solares concebidas especificamente para funcionar debaixo de \u00e1gua. Num teste realizado no Mar da China Meridional, investigadores conseguiram produzir energia a partir de pain\u00e9is instalados a <strong>10 metros de profundidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia decorreu ao largo da ilha chinesa de <strong>Weizhou<\/strong>, onde uma equipa de cientistas submergiu um pequeno rob\u00f4 equipado com m\u00f3dulos solares e manteve o equipamento naquela profundidade durante duas horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de ser retirado da \u00e1gua, o sistema tinha produzido <strong>324 miliwatts-hora de energia<\/strong>, armazenada em baterias de i\u00f5es de l\u00edtio. Um teste posterior confirmou que a quantidade de energia era suficiente para alimentar um painel de LED.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado representa um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a experi\u00eancias anteriores com sistemas fotovoltaicos subaqu\u00e1ticos, geralmente realizadas em \u00e1guas muito rasas. A principal inova\u00e7\u00e3o est\u00e1 no desenvolvimento de uma <strong>c\u00e9lula solar de perovskita adaptada \u00e0s caracter\u00edsticas espec\u00edficas da luz solar dispon\u00edvel a determinada profundidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, os investigadores desenvolveram c\u00e9lulas solares concebidas especificamente para aplica\u00e7\u00f5es subaqu\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo foram publicados na revista cient\u00edfica <strong>Joule<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso abre um caminho para alimentar continuamente dispositivos marinhos e resolve um dos principais obst\u00e1culos \u00e0 autonomia dos equipamentos subaqu\u00e1ticos: a curta dura\u00e7\u00e3o das baterias\u201d, afirmou Wen-Hua Zhang, investigador da Universidade de Yunnan e principal autor do estudo, citado pela ZME Science.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A luz vermelha desaparece rapidamente debaixo de \u00e1gua<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As c\u00e9lulas solares convencionais aproveitam uma faixa relativamente ampla do espectro da luz solar. Debaixo de \u00e1gua, por\u00e9m, a luz passa por um segundo filtro \u00f3ptico, depois da filtragem j\u00e1 provocada pela atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua absorve preferencialmente a luz vermelha e infravermelha. Por isso, entre aproximadamente <strong>cinco e dez metros de profundidade<\/strong>, o espectro dispon\u00edvel passa a ser dominado principalmente por comprimentos de onda azul-esverdeados, situados aproximadamente entre <strong>400 e 600 nan\u00f3metros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 precisamente esta altera\u00e7\u00e3o que torna mais dif\u00edcil utilizar c\u00e9lulas solares convencionais debaixo de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que diferencia a nova experi\u00eancia \u00e9 que as c\u00e9lulas foram testadas <strong>em mar aberto<\/strong>, ao contr\u00e1rio de experi\u00eancias anteriores realizadas em \u00e1guas pouco profundas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma c\u00e9lula solar concebida para funcionar \u00e0 superf\u00edcie perde, portanto, grande parte do seu potencial quando colocada debaixo de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ultrapassar essa limita\u00e7\u00e3o, os investigadores utilizaram uma <strong>perovskita de amplo intervalo de banda<\/strong>, com cerca de <strong>1,96 electr\u00e3o-volt<\/strong>, optimizada para responder de forma mais eficiente \u00e0 luz azul-esverdeada que consegue penetrar na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas tamb\u00e9m adicionaram um pol\u00edmero chamado <strong>PHMG<\/strong>, que ajudou a perovskita a formar uma estrutura cristalina mais est\u00e1vel e reduziu defeitos capazes de comprometer o seu desempenho el\u00e9ctrico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudos anteriores j\u00e1 apontavam para aplica\u00e7\u00f5es em maiores profundidades<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e1lise te\u00f3rica publicada em 2020, tamb\u00e9m na revista <em>Joule<\/em>, calculou que sistemas fotovoltaicos subaqu\u00e1ticos poderiam continuar a ser \u00fateis a profundidades pr\u00f3ximas de <strong>50 metros<\/strong> em \u00e1guas excepcionalmente transparentes, desde que fossem utilizados materiais com um intervalo de banda mais amplo e ajustados ao espectro de luz existente nessas profundidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse estudo identificou um intervalo de banda ideal de aproximadamente <strong>2,1 electr\u00e3o-volt<\/strong> para profundidades interm\u00e9dias, valor pr\u00f3ximo do utilizado na aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desenvolvida agora pelos investigadores chineses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, investigadores tamb\u00e9m apresentaram c\u00e9lulas solares org\u00e2nicas concebidas para utiliza\u00e7\u00e3o subaqu\u00e1tica, que alcan\u00e7aram uma efici\u00eancia de convers\u00e3o superior a <strong>25,6% a um metro de profundidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros grupos de investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7aram recentemente a testar c\u00e9lulas de perovskita em condi\u00e7\u00f5es subaqu\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal diferen\u00e7a da experi\u00eancia mais recente est\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es de teste: as novas c\u00e9lulas foram avaliadas <strong>em mar aberto<\/strong>, enquanto experi\u00eancias anteriores tinham sido realizadas em \u00e1guas rasas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">C\u00e9lulas atingiram 34,71% de efici\u00eancia a condi\u00e7\u00f5es equivalentes a 10 metros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos testes laboratoriais destinados a reproduzir as condi\u00e7\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o existentes a dez metros de profundidade, as pequenas c\u00e9lulas conseguiram converter <strong>34,71% da luz que incidia sobre elas em electricidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em condi\u00e7\u00f5es convencionais de luz solar, a efici\u00eancia de convers\u00e3o foi de <strong>17,08%<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f3dulos de maiores dimens\u00f5es tamb\u00e9m alcan\u00e7aram uma efici\u00eancia de <strong>29,4% debaixo de \u00e1gua<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, estes n\u00fameros n\u00e3o significam que os m\u00f3dulos tenham produzido mais electricidade debaixo de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dez metros de profundidade, a quantidade de luz solar que chega aos pain\u00e9is \u00e9 muito menor. Assim, a produ\u00e7\u00e3o total de energia continua a ser inferior \u00e0 registada \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que as c\u00e9lulas demonstraram foi uma <strong>maior efici\u00eancia na utiliza\u00e7\u00e3o da luz azul-esverdeada<\/strong> que consegue atravessar a \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Investigadores querem testar o sistema a maiores profundidades<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dez metros de profundidade podem representar apenas uma primeira etapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCom base no nosso trabalho actual, e especulativamente, a energia fotovoltaica subaqu\u00e1tica poderia oferecer uma opera\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica vi\u00e1vel a profundidades de 20 a 30 metros\u201d, afirmou Zhang. \u201cEst\u00e3o em curso experi\u00eancias no nosso grupo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da profundidade, o investigador apontou outros obst\u00e1culos que podem afectar a efici\u00eancia da energia solar debaixo de \u00e1gua, incluindo a <strong>bioincrusta\u00e7\u00e3o marinha, detritos flutuantes e a corros\u00e3o provocada pela \u00e1gua do mar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organismos que se fixam nas c\u00e9lulas podem bloquear a entrada de luz, enquanto a \u00e1gua salgada pode degradar, ao longo do tempo, os revestimentos de protec\u00e7\u00e3o dos equipamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor isso, a profundidade operacional pr\u00e1tica \u00e9 determinada por v\u00e1rios factores, e n\u00e3o apenas pela intensidade da luz\u201d, explicou Zhang.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia pode alimentar equipamentos no fundo do mar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso estes obst\u00e1culos sejam ultrapassados, Zhang acredita que as c\u00e9lulas solares poder\u00e3o integrar um ecossistema tecnol\u00f3gico cada vez maior debaixo das ondas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA energia fotovoltaica subaqu\u00e1tica poderia ser utilizada em larga escala como parte de um esfor\u00e7o mais amplo para desenvolver infra-estruturas no fundo do mar\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O investigador destacou particularmente os <strong>ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos aut\u00f3nomos<\/strong> e outras tecnologias associadas ao conceito de <strong>\u201coceano inteligente\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa pretende agora testar o sistema a maiores profundidades, prolongar a dura\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias em mar aberto, aumentar a dimens\u00e3o dos m\u00f3dulos e integr\u00e1-los em ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos aut\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m pretendem desenvolver <strong>protocolos de teste padronizados<\/strong>, que permitam comparar diferentes tecnologias solares subaqu\u00e1ticas em condi\u00e7\u00f5es equivalentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas est\u00e3o a desenvolver uma nova gera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas solares concebidas especificamente para funcionar debaixo de \u00e1gua. Num teste realizado no Mar da China Meridional,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[10],"tags":[16],"class_list":["post-36","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-paineis"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/emprimeiro.blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vecteezy_renewable-energy-concept-solar-panels-in-lush-greenery-at_55172049-1-scaled.jpg?fit=2560%2C1707&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=36"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=36"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=36"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/emprimeiro.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=36"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}